FLORESTA VIRGEM
Projeto realizado entre 2013 e 2015, na Mata da Albergaria, Gerês.
A Mata da Albergaria é um lugar com uma intensa carga simbólica — uma das últimas matas de Carvalho Arcaico da Península Ibérica, um fragmento de mundo anterior à intervenção humana sistemática. Foi fotografada apenas em dias de mau tempo, durante três anos. O mau tempo é, neste contexto, um filtro conceptual tanto quanto atmosférico que remove a luz que seduz, produzindo uma coerência visual desta série que não poderia ter sido alcançada de outra forma. O que as fotografias mostram é uma floresta emaranhada, húmida, sem profundidade de campo confortável, sem convite à entrada. A cor existe mas está suprimida pela densidade e pela luz filtrada de um céu cinzento; o espaço existe mas está bloqueado pela compressão dos planos. É uma floresta que resiste a ser fotografada, física e visualmente intransponível e é exactamente essa resistência que a série documenta.