TEMPESTADE
Uma Tempestade. Um dia. 19 de Janeiro 2013. Oceano Atlântico.
Tempestade não pretende apresentar a paisagem como espetáculo, recorre a uma contenção formal ao evitar o horizonte, elementos como referência de escala, a ausência da figura humana e dos seus sinais. Recorre igualmente ao formato de série num programa rigoroso, aplicado consistentemente até que a coerência visual se imponha por si. O que a fotografia capta aqui — e que nenhum outro meio alcança com esta precisão — é a qualidade física do momento, que chega ao observador antes de ser identificada, como algo que o corpo reconhece antes de o olhar nomear. Não recusa o sublime, não como categoria estética herdada da tradição romântica, mas como experiência directa, física, imediata, sem a distância que a contemplação normalmente exige.